Do Pavilhão do Brasil ao Pavilhão de Lisboa

Pavilhão do Brasil

Concluída a 1ª parte do percurso, os visitantes deviam voltar a atravessar a ponte da Porta da Fundação, iniciando esta parte trajeto através da visita no Pavilhão do Brasil. Na Exposição, foi o único país estrangeiro com direito a pavilhão próprio; de facto, foi a única ex-colónia que com direito a dupla representação, como independente, num espaço próprio e dedicado, e como potência colonial, numa ala do Pavilhão dos Portugueses no Mundo.

Raul Lino foi responsável pelo projeto do pavilhão, tendo sido inaugurado a 20 de julho. O arquiteto trabalhou com Roberto Lacombe, que foi responsável pelo plano arquitetónico dos interiores do pavilhão, e com Flávio Barbosa, o arquiteto-adjunto. Os planos para os interiores foram importados do Brasil, tendo o arquiteto brasileiro acabado por respeitar os contornos que Raul Lino traçou na planta inicial do pavilhão quanto à sua divisão e organização interna. Com o objetivo de representar a arte, as ciências, a literatura, o jornalismo e a técnica do Brasil na atualidade, os visitantes tinham acesso às seguintes salas:

  • Sala do livro, onde era apresentada uma síntese da cultura e atividade editorial no Brasil;
  • Sala de fomento e indústria, com representações das obras públicas, vias de comunicação, produção de material bélico e imprensa;
  • Sala de aeronáutica, com documentário da atividade aérea e homenagem a aeronautas pioneiros no Brasil, como Bartolomeu de Gusmão (criador da Passarola), Augusto Severo (responsável por desenvolvimentos em dirigíveis) e Santos Dumont (responsável pelos primeiros dirigíveis com motor a gasolina e um dos primeiros a voar num avião com motor a gasolina);
  • Sala do Rio de Janeiro, com um diorama da cidade e exibição de um documentário da técnica de saneamento, de higiene e da soroterapia;
  • Sala etnográfica;
  • Sala da honra, com exposição da arte brasileira contemporânea.
Pavilhão da Colonização

Em seguida, acedia-se ao Pavilhão da Colonização, vizinho do pavilhão anterior.

Da autoria de Carlos Chambers Ramos, este pavilhão foi inaugurado no dia 1 de julho. Em termos de função, servia para comemorar a história da colonização portuguesa, representando a Fé e o Império. Os visitantes podiam explorar as salas:

  • Sala dos antecedentes, com seis mapas ilustrados que enunciavam as razões históricas que impulsionaram os portugueses à expansão;
  • Sala da organização do estado colonizador;
  • Sala de África, com mostra pictórica das grandes explorações económicas do Ocidente africano no século XV, a saber: ouro, escravos e especiarias;
  • Sala do Oriente, com artefactos relativos à política colonial no Oriente, nomeadamente na Arábia, Índia (criação do Estado da Índia), Golfo Pérsico, e Extremo Oriente, ou seja, na China e Japão;
  • Política de limites, com mapas relativos à política de fronteiras além-mar (Tratado de Tordesilhas, Conferência de Berlin e Mapa Cor-de-Rosa) e artefactos relativos à história militar nas colónias;
  • Política administrativa, que se dividia em três secções, mostrando a evolução da política administrativa nas colónias portuguesas;
  • Política indígena, com sumários desde o primeiro contato com populações indígenas até à atualidade;
  • A Fé e o Império, com mostra artística sobre a ação das missões católicas no Império;
  • Panorama atual da ação colonial portuguesa, com fotomontagens mostrando a ação política e administrativa portuguesa nas colónias
  • Síntese, onde se podiam observar dois trípticos – um sobre a simbolização do espírito moral que precedeu os Descobrimentos e a obra da expansão e colonização que neles se originaram, e outro sobre a criação espiritual de uma nova civilização humana e o começo de uma nova era de conhecimento baseado na experiência.
Pavilhão da Honra e de Lisboa

Por fim, os visitantes deviam terminar esta minidigressão no Pavilhão de Lisboa. Este pavilhão partilhava o seu espaço físico com outro pavilhão (Pavilhão da Honra, daí este edifício ser normalmente denominado Pavilhão da Honra e de Lisboa) mas, de acordo com o Guia Oficial, estes estavam separados, dadas as suas funções e objetivos – o primeiro serviria para a realização de festas, receções e espetáculos, enquanto o Pavilhão de Lisboa pretendia representar a tradição e o pitoresco da capital.

Luís Cristino da Silva foi o responsável pelo edifício que comportava ambos os pavilhões, tendo sido inaugurado a 29 de junho. Foi demolido após o término da exposição. O seu interior estava organizado nos seguintes espaços:

  • Vestíbulo, que ligava a um pátio exterior e que pretendia retratar elementos arquitetónicos de Lisboa seiscentista;
  • Sala de S. Vicente, com objetos artísticos representativos do santo;
  • Sala de honra, onde se podia vislumbrar o Foral de Lisboa e outras peças relativos ao período medieval em Lisboa;
  • Sala de pitoresco, com pinturas cenográficas reproduzindo estampas típicas de Lisboa e outros locais nos séculos XVII e XIX, assim como exemplares de tipos “alfacinhas” e arte barrista até à atualidade;
  • Sala Castilho, em homenagem ao olisipógrafo Visconde Júlio de Castilho;
  • Sala do futuro, que apresentava projetos, plantas e desenhos para Lisboa nos anos seguintes à exposição.